sexta-feira, 21 de março de 2014

Sujeito Qualquer

Cidade hipotética X, data não especificada, sujeito qualquer.
Em nome de ninguém, venho a escrever esta mísera e inútil carta para demonstrar o quão insignificante minhas palavras organizadas sistematicamente em um pedaço de papel virtual podem ser. Ao longo de décadas, vivo simplesmente a custa de sujeitos alheios e sirvo apenas para reproduzir o que já foi dito e comer o que foi plantado por outros sujeitos quaisquer. Minhas roupas? Marcadas com desenhos que simplesmente confirmam a consideração do ser como mercadoria.
Tenho sentimentos mas não posso expressá-los! Pois um homem, vil criatura nascida de uma suposta evolução de mamíferos, ser que possui sede de matança, patrocinador do caos, amante da discórdia, não poderia possuir tais virtudes. No momento estou sentado em um quarto empoeirado,escutando a sinfonia No.1 de Piotr Tchaikovsky e aproveitando mais uma sessão de superioridade em cima daqueles que consideram a arte como infame. Há muito não sei diferenciar o dia da noite, e um dos poucos gostos que ainda consigo sentir é o gosto de um bom e velho Whisky e de um cigarro barato entre meus lábios ressecados. Durante toda a minha vida fui rejeitado e menosprezado por aqueles que simplesmente acreditavam que a vida era um eterno vaudeville ou até mesmo por aqueles que desde pequenos sonhavam em ter uma vida de deuses. Ainda em minha época de inocência, tive o desprazer de conhecer a vida como ela realmente é e mudar a minha concepção de mundo em relação ao cruel lugar onde nasci. Agora, no fim da vida, apenas aguardo a morte de braços abertos e desejo sorte à aqueles que chegam e acreditam em mudar o mundo.

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