sexta-feira, 7 de março de 2014

Uma crônica sem nome.

O último olhar diante da morte absoluta é a representação concreta dos medos primitivos sobressaltando-se sobre o ser sensível. Por mais que um pássaro não seja considerado um ser pensante, considerei-o como um. Com total consciência do que iria acontecer, olhou-me penoso,
exaltando-se na última esperança pré-morte. Em seguida, deixou-se cair sobre as asas e esperou a última pedra chocar-se contra o seu esqueleto magro e coberto de penugens. 
As primeiras gotas de chuva caíram-lhe como lágrimas diante de um ser mísero e raquítico, rejeitado pelo destino e acolhido por velhos troncos e folhas mortas. 
O caçador, socialmente aceito como um homem de bravura inestimável, mirou a última pedra...

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